PERGUNTAS FREQUENTES

Aqui encontra resposta às questões mais frequentes sobre os temas da Cardiologia de Intervenção. Gostava de ver outra questão respondida? Por favor envie um email para apic@spc.pt. As questões mais relevantes terão resposta neste espaço.

O que é a APIC?

A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) é uma Associação Especializada da Sociedade Portuguesa de Cardiologia que tem por finalidade o estudo, investigação e promoção de outras atividades científicas no âmbito dos aspetos médicos, cirúrgicos, tecnológicos e organizacionais da Intervenção Cardiovascular. Uma das áreas fulcrais neste contexto de atuação está relacionada com o tratamento do Enfarte Agudo do Miocárdio e da Estenose Aórtica.


O que é a Cardiologia de Intervenção?

A Cardiologia de Intervenção é uma subespecialidade da Cardiologia que garante a competência de um médico cardiologista na execução e ensino de técnicas de diagnóstico e tratamento percutâneas, como por exemplo, um cateterismo cardíaco ou uma angioplastia.


O que é um cateterismo cardíaco?

O cateterismo cardíaco é um procedimento médico, realizado pelo cardiologista de intervenção, no qual é inserido um pequeno tubo (cateter) através de um vaso sanguíneo (habitualmente na artéria da virilha ou do pulso) até ao coração. Através do cateter é possível medir a pressão e os níveis de oxigénio dentro das artérias coronárias e assim avaliar o funcionamento do coração.  Além de auxiliar no diagnóstico de doenças, como por exemplo a angina de peito, este procedimento pode ser utilizado em situações de emergência para determinar a localização exata de uma obstrução que esteja a causar um enfarte agudo do miocárdio.


O que é uma angioplastia?

Uma angioplastia é um procedimento médico, realizado por uma Equipa de Cardiologia de Intervenção, com o objetivo de melhorar o fluxo sanguíneo nas artérias e veias do corpo humano. Este procedimento pode estar indicado quando placas de colesterol obstruem, parcial ou totalmente, os vasos sanguíneos comprometendo o seu fluxo.

Na maior parte dos doentes, a angioplastia é o procedimento médico indicado para resolver a obstrução das artérias coronárias e melhorar a angina de peito. Esta técnica não cirúrgica foi realizada pela primeira vez há 40 anos pelo médico Andreas Gruentzig, em Zurique, e consiste na utilização de um cateter (um tubo muito fino) com uma ponta de balão que é colocado dentro do vaso sanguíneo para o dilatar e assim recuperar o normal fluxo sanguíneo. Na grande maioria dos casos é também necessário implantar uma pequena rede metálica expansível (stent ou endoprótese) para que a artéria se mantenha permeável a longo prazo.


O que é um bypass coronário?

O bypass coronário é uma intervenção cirúrgica que permite que o sangue contorne (ou faça uma ponte sobre) uma secção obstruída em uma ou mais artérias do coração. Habitualmente esta intervenção cirúrgica é necessária nos casos em que diversas artérias do coração estão obstruídas de forma generalizada. A manifestação mais comum de doença coronária é um tipo de dor no peito, denominado angina.


Qual a diferença entre uma angioplastia e um bypass coronário?

A angioplastia é um procedimento médico que usa técnicas endovasculares, isto é, através de um tubo muito fino (cateter), introduzido no corpo do doente por via minimamente invasiva, é dilatada uma artéria para melhorar o fluxo sanguíneo e colocada uma rede metálica expansível (stent ou endoprótese) para que a artéria não volte a ficar estreita. A angioplastia é realizada por cardiologistas de intervenção nos laboratórios de hemodinâmica dos hospitais.

O bypass coronário, por outro lado, é uma intervenção cirúrgica, feita sob anestesia geral,  que constrói uma ponte que permite que o sangue flua normalmente. Essa ponte liga dois segmentos saudáveis da artéria, evitando a obstrução do fluxo sanguíneo para o coração.  O bypass coronário é realizado pelos cirurgiões cardíacos nos blocos operatórios dos hospitais.

Tanto a angioplastia como o bypass coronário permitem o tratamento da doença arterial coronária.


O que é um enfarte?

O enfarte agudo do miocárdio, ou ataque cardíaco, ocorre quando uma das artérias do coração fica obstruída o que faz com que uma parte do músculo cardíaco fique em sofrimento por falta de oxigénio e nutrientes. Esta obstrução é habitualmente causada pela formação de um coágulo devido à rutura de uma placa de colesterol.


Quais são os principais sintomas de enfarte do miocárdio?

Os sintomas mais comuns, para os quais as pessoas devem estar despertas, são a dor no peito, por vezes com irradiação ao braço esquerdo, costas e pescoço, acompanhada de suores, náuseas, vómitos, falta de ar e ansiedade. Normalmente os sintomas duram mais de 20 minutos, mas também podem ser intermitentes. Podem ocorrer de forma repentina ou gradualmente, ao longo de vários minutos.


Qual é o tratamento do enfarte do miocárdio?

Atualmente, a angioplastia coronária é o melhor tratamento para o enfarte agudo do miocárdio.

No hospital, o cardiologista de intervenção irá efetuar uma angioplastia coronária que consiste na colocação de um cateter fino na artéria obstruída, através do qual se introduz um balão que quando insuflado permite a abertura da artéria e o restabelecimento do fluxo sanguíneo. Na maioria das vezes, este procedimento é complementado com a colocação de um stent, um pequeno tubo de rede metálica que mantém o vaso aberto.


Quais são os fatores de risco do enfarte?

O risco de ter um enfarte aumenta se algumas das seguintes situações estiverem presentes:

  • Hábitos tabágicos;
  • colesterol elevado;
  • diabetes;
  • hipertensão arterial;
  • familiares diretos com história de enfarte

Alguns destes fatores de risco podem ser modificados ou prevenidos, essencialmente se forem adotados estilos de vida saudáveis como deixar de fumar, prática de alimentação saudável, em particular através de diminuição de sal na comida, e prática de exercício físico. Outros podem ser ajudados a controlar através de medicamentos, como a diabetes a hipertensão e o colesterol elevado.


É possível prevenir um enfarte?

Para evitar um enfarte é importar adotar estilos de vida saudáveis: não fumar; reduzir o colesterol; controlar a tensão arterial e a diabetes; fazer uma alimentação saudável; praticar exercício físico; vigiar o peso e evitar o stress.


O que é um stent?

O stent ou endoprótese é um dispositivo médico composto por uma pequena rede metálica expansível que mantém a artéria aberta por forma ao sangue fluir naturalmente.


O que é uma Oclusão Crónica Total – CTO?

Uma CTO (Chronic Total Occlusion) é por definição uma situação em que existe uma obstrução total, isto é, 100% de uma artéria coronária, não havendo passagem de sangue para a irrigação do músculo cardíaco com mais de 3 meses de duração. Estas situações são encontradas em 18-20% dos doentes que efetuam cateterismo cardíaco diagnóstico.


O que é a fibrilação auricular e qual a sua relação com o AVC?

A fibrilhação auricular é uma perturbação do ritmo cardíaco (arritmia) que se associa ao risco de acidente vascular cerebral (AVC). Nesta arritmia, o coração perde a capacidade de contração das aurículas. A estagnação de sangue nestas cavidades proporciona a formação de coágulos (trombos) que poderão deslocar-se e migrar para a circulação cerebral e provocar um AVC. O AVC continua a ser a principal causa de morte e incapacidade em Portugal e a fibrilhação auricular é responsável por cerca de um terço dos casos.


A cardiologia de intervenção pode ser uma alternativa aos medicamentos anticoagulantes?

Os medicamentos anticoagulantes contrariam a formação de coágulos e são a primeira linha na prevenção do AVC na fibrilhação auricular. Contudo, os anticoagulantes aumentam o risco de sangramento (hemorragia) e estima-se que cerca de 1 em cada 4 doentes não tolere ou apresente contraindicação para a toma destes fármacos. Para este grupo de doentes, a cardiologia de intervenção oferece uma alternativa. Através de um cateter introduzido na região femoral, é possível alcançar o coração e implantar um dispositivo que encerra o local onde a formação de coágulos é mais provável. Esse local é o apêndice auricular esquerdo, uma pequena extensão da aurícula esquerda que é responsável pela formação de cerca de 90% dos trombos associados à fibrilhação auricular.

O encerramento do apêndice auricular esquerdo através de cateter representa uma importante evolução na prevenção do AVC, oferecendo uma alternativa não-inferior à anticoagulação em doentes que não toleram ou apresentam elevado risco de sangramento. Este procedimento não é uma cirurgia, pode ser oferecido em múltiplas unidades públicas e privadas de norte a sul do país e geralmente implica apenas um dia de internamento.


Há alguma forma de prevenir a doença coronária aterosclerótica?

A melhor forma de prevenir a doença coronária aterosclerótica é a alteração dos estilos de vida: não fumar, reduzir o consumo de gorduras, açúcar e sal, praticar exercício físico de uma forma regular e evitar o consumo de bebidas alcoólicas.


Para que servem as válvulas cardíacas?

O coração é formador por 4 cavidades: aurícula esquerda e direita e ventrículo esquerdo e direito. Entre casa aurícula e ventrículo existe uma válvula cardíaca assim como à saída de cada ventrículo. As 4 válvulas cardíacas fazem com que o sangue dentro do coração flua em sentido único, impedindo o seu refluxo. Quando isso não acontece podem surgir doenças como a estenose aórtica.


O que é a estenose aórtica?

A estenose aórtica é uma doença que afeta 32 mil portugueses, maioritariamente pessoas acima dos 80 anos, limitando as suas capacidades e qualidade de vida.

A aorta é a principal artéria do nosso corpo que transporta sangue para fora do coração. Quando o sangue sai do coração flui da válvula aórtica para a artéria aorta. A válvula aórtica tem como função evitar que o sangue bombeado pelo coração não volte para trás. Na presença de estenose, a válvula aórtica não abre completamente, vai ficando cada vez mais estreita e isso diminui o fluxo sanguíneo do coração. Se não for detetada atempadamente esta doença pode ter um desfecho letal.


Quais são os sintomas de estenose aórtica?

Cansaço, dor no peito e desmaios.


Como se diagnostica a estenose aórtica?

O diagnóstico da estenose aórtica pode ser confirmado com recurso à auscultação, ecocardiografia com doppler, seguindo-se muitas vezes um cateterismo cardíaco para completar o estudo.


O que é um ecocardiograma?

O ecocardiograma é um exame que permite diagnosticar a estenose aórtica e que pode ser realizado num consultório médico ou num hospital.

Depois de espalhar algum gel no peito do doente para ajudar o sensor de ultra-sons a deslizar mais facilmente, o médico irá colocar o sensor sobre a pele para obter imagens em movimento do coração e dos vasos sanguíneos que lhe estão próximos.


Qual o tratamento para a estenose aórtica?

Cada vez mais o tratamento da estenose aórtica passa pelo implante de uma nova válvula cardíaca, através de um cateter introduzido por uma artéria (geralmente na virilha), sem necessidade de parar o coração. Demora cerca de uma hora e meia e pode fazer-se quase sem anestesia, com recuperação em dias.

Esta técnica minimamente invasiva é, para muitos especialistas, é o grande avanço da cardiologia dos últimos 20 anos.  Tem inúmeras vantagens em relação à cirurgia de peito aberto (cirurgia convencional) e diminui os riscos relacionados com o tratamento. Atualmente existem 5 centros públicos e 6 centros privados de Hemodinâmica, em Portugal, com capacidade para a realização desta cirurgia.


O que é uma TAVI?

A TAVI (“Transcatheter aortic valve implantation”) é uma técnica de implante percutâneo da válvula aórtica, um procedimento que permite tratar com sucesso os doentes com estenose aórtica grave, em idade avançada, que não têm indicação para cirurgia.


Quais são os objetivos da campanha Valve for Life?

A campanha Valve For Life tem como objetivos:

  • Aumentar a consciência sobre a importância da doença cardíaca valvular na população em geral,
  • Facilitar o acesso a novas terapêuticas, tais como intervenções percutâneas valvulares
  • Melhorar os padrões educacionais, reduzir os obstáculos a referenciação e a idade de implementação da terapêutica
  • Reduzir a discriminação de género no acesso aos cuidados

O que é a regurgitação mitral?

A regurgitação mitral é a segunda doença valvular mais comum, em todo o mundo, e espera-se que a sua prevalência aumente nos próximos anos, com o envelhecimento da população. É algo mais comum em homens e aumenta com a idade mais avançada.

Carateriza-se por um refluxo de sangue que vaza pela válvula mitral cada vez que o ventrículo esquerdo se contrai, ou seja, à medida que o ventrículo esquerdo bombeia o sangue para a aorta, um pouco de sangue retorna para trás em direção à aurícula esquerda, aumentando o volume de sangue e pressão nesse local. Este aumento da pressão arterial na aurícula esquerda aumenta a pressão do sangue nas veias que vão dos pulmões para o coração. Os pulmões ficam como que encharcados em sangue e isto gera o cansaço. Por outro lado, a aurícula esquerda aumente para acomodar o sangue extra que vazou do ventrículo como refluxo e isso deforma o coração e pode levar a alterações do ritmo cardíaco ou até tromboses.


Quais são as principais causas da regurgitação mitral?

A fraqueza hereditária do tecido da válvula mitral, o “ataque cardíaco” ou as doenças do músculo cardíaco são as causas mais comuns da regurgitação mitral.


Quais são os principais sintomas da regurgitação mitral?

Os principais sintomas são a falta de ar e o cansaço.


Como se diagnostica a regurgitação mitral?

O diagnóstico é feito com base nas caraterísticas do sopro cardíaco ouvido, pelo médico, através da auscultação com o estetoscópio. O eletrocardiograma e a radiografia torácica podem confirmar o aumento do ventrículo esquerdo. A ecocardiografia é essencial e para avaliar o tamanho do ventrículo e da aurícula esquerda e a quantidade de sangue que está a vazar, de modo a avaliar a gravidade da doença.


Qual o tratamento para a regurgitação mitral?

Nos casos mais graves, a cirurgia da válvula mitral pode ser o tratamento mais indicado, para reparar ou substituir a válvula cardíaca danificada. No entanto, metade dos doentes encaminhados para cirurgia não são operados, por razões relacionadas com outras doenças concomitantes, pela disfunção do ventrículo esquerdo ou pela idade avançada.

Nos últimos anos foram desenvolvidas inovações importantes no campo do tratamento e já existem em Portugal vários dispositivos percutâneos, minimamente invasivos, disponíveis ou sob investigação.


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